O que é o terceiro céu?
Perguntas & Respostas

O Que é o Terceiro Céu?

Raimundo Barreto
Garanhuns, PE, junho de 2023

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Quando lemos em 2 Coríntios 12:2-5 a respeito das visões e revelações que o Senhor compartilhou com o apóstolo Paulo no paraíso, no terceiro céu, e transmitiu a ele coisas indizíveis, perguntamos: o que é o terceiro céu?

“Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. Nesse homem me gloriarei, mas não em mim mesmo, a não ser em minhas fraquezas”.

Para entendermos o que é o terceiro céu, o primeiro e o segundo, devemos voltar ao livro das origens do universo e de toda criação de Deus, então saberemos como viver no mundo que Ele criou.

Em Gênesis 1:1 está registrado: “No princípio Deus criou os céus e a terra”. Aqui encontramos os Três Elementos Básicos que Compõem o Universo: TEMPO (no princípio), ESPAÇO (os céus) e a MATÉRIA (a terra), foram trazidos à existência no princípio e são fundamentais no processo de criação.

Dois verbos hebraicos são utilizados com frequência no texto de Gênesis capítulo 1. São eles os verbos ברא bara’ (Strong – H1254) e עשה ‘asah (Strong – H6213). O verbo bara’ foi traduzido para a língua portuguesa como “criar”. O seu significado é trazer algo à existência daquilo que não existe, conforme é relatado no seguinte versículo de Hebreus 11:3: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”.

É dito que Deus bara’ (vs. 1) os céus e a terra. Também Deus bara’ (vs. 27) o Homem (ou Humanidade) à Sua imagem, à imagem de Deus o bara’; homem e mulher (macho e fêmea) os bara’.

Já o verbo ‘asah, que foi traduzido como “fazer”, possui o significado de trazer algo à existência daquele que já existe (de uma matéria prima pré-existente). Este verbo é utilizado quando Deus faz o FIRMAMENTO (vs. 7), os dois grandes luminares (o sol e a luz – vs. 16). Deus ‘asah (vs. 25) os animais selvagens de acordo com as suas espécies, os rebanhos domésticos de acordo com as suas espécies, e os demais seres vivos da terra de acordo com as suas espécies. O verso 31 concluir e confirma que: “Viu Deus tudo quanto fizera” (‘asah), e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia”.

Portanto, Deus trouxe algumas coisas à existência do nada; outras, daquilo que Ele mesmo já havia criado. Estes dois termos são utilizados na seguinte conclusão que se encontra em 2:3, que diz: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara (bara’) e fizera (‘asah)” (versão Almeida Revista e Corrigida – ARC).

Quando Deus utiliza-se dos três elementos básicos (tempo, espaço e matéria) para fazer outras coisas, o verbo utilizado foi ‘asah. Esse é justamente o caso da criação do FIRMAMENTO: “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus. Houve tarde e manhã, o segundo dia” (vss. 6-8).Deus chama o firmamento de “Céus”. No verso 14, Deus traz à existência os corpos celestes no firmamento. Já no verso 20, Deus cria os seres que voam sobre a terra, para voar sob o firmamento do céu.

A distinção ocorre principalmente no verso 20, onde lemos: “Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus”. Esta distinção é coerente com o que lemos em 2 Coríntios 12:2, quando Paulo fala do terceiro céu, o paraíso. A existência de um terceiro céu deixa claro a existência de um primeiro e de um segundo céu. Obviamente, o texto não está falando de uma ordem cronológica de existência, mas posicional. Portanto, o entendimento é:

  • O Primeiro Céu é o das criaturas que voam (as aves). Esse céu é o que chamamos de atmosfera (Gênesis 1:20);
  • O Segundo Céu é onde encontramos os corpos celestes, o Sol, a Luz, as Estrelas e as Galáxias. Esse céu é o que denominamos de espaço sideral (Gênesis 1:14);
  • O Terceiro Céu é o que as Escrituras Sagradas chamam de “paraíso”. Esse é o céu para onde vão os que morreram em Cristo. Eles não vão para o espaço sideral morar em álbum outro planeta, nem ficam vagando pela atmosfera da Terra, como “almas penadas”.

No terceiro dia Deus ordena que as águas se ajuntem num só lugar e que a porção seca apareça. Agora o planeta Terra tem uma atmosfera, uma única porção seca (um supercontinente, a Pangeia) e um único oceano (Pantalassa[1]).

Pelo fato de haver água líquida nesse oceano, o planeta Terra possui uma temperatura adequada para sustentar vida. Ele também possui luz (radiação eletromagnética) banhando a sua superfície. Ele também está girando ao redor do seu próprio eixo (”… houve tarde e manhã o primeiro dia”). Tudo está preparado para que vida seja criada e mantida no planeta Terra.

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (Salmos 8:3-9).

Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles. Ele ajunta em montão as águas do mar; e em reservatório encerra as grandes vagas. Tema ao SENHOR toda a terra, temam-no todos os habitantes do mundo. 9 Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Salmos 33:6-9).

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1:18-23).


[1] Pantalassa (do grego, pan – “tudo” e thalassa – oceano), também conhecido como Panthalassa ou Oceano Pantalássico, era o outrora vasto oceano global que rodeava o supercontinente Pangeia.

Pangeia

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Rai Barreto
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