Estudo Epístola aos Hebreus
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Estudo de Hebreus

Exortação aos HEBREUS: estímulo para nos achegar à presença do Pai

Nota: abaixo deste post estou disponibilizando os arquivos em PDF do Estudo de Hebreus.

O tema central dos ensinos aos Hebreus: aproximemo-nos e todos Me conhecerão!

Os ensinamentos registrados em Hebreus têm um pano de fundo judeu. Para o judeu sempre era perigoso aproximar-se de Deus. Disse Deus a Moisés no Monte Sinai: “Marcarás em redor limites ao povo, dizendo: Guardai-vos de subir ao monte, nem toqueis o seu limite, todo aquele que tocar o monte será morto” (Êxodo 19:12). E, mais tarde, foi dito: “Porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33:20). Quando Manoá se precaveu de quem tinha sido seu visitante disse aterrorizado à sua mulher: “Certamente, morreremos, porque vimos a Deus” (Juízes 13:22).

O Dia da Expiação constituía a grande data do culto judeu. Era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no santíssimo (Santo dos Santos), onde habitava a própria presença (glória) de Deus. Ninguém jamais entrava ali a não ser o sumo sacerdote e este somente neste Dia. Ao realizar este ato a Lei pedia que não se demorasse muito no lugar santo “para que Israel não se aterrorizasse“. Era perigoso entrar na presença de Deus; atrasar-se muito para sair do Santo dos Santos podia significar a morte.

Dentro deste contexto surgiu no pensamento judeu a ideia de uma aliança. A aliança significava que Deus, em Sua graça e por iniciativa própria – de uma maneira absolutamente imerecida -, Se aproximava do povo de Israel e lhe oferecia uma relação especial Consigo. De uma maneira única eles seriam Seu povo e Ele seria Seu Deus; era o modo de ter um acesso especial a Deus. Mas este acesso estava condicionado à observância da Lei que Deus lhes tinha dado.

Assim, pois, Israel tinha acesso a Deus, mas só se observasse a Lei (Êxodo 24:3, 4). Descumprir a Lei era pecado; o pecado interrompia o acesso a Deus e colocava perante Ele uma barreira. Para acabar esta barreira se construiu todo o sistema do sacerdócio levítico e dos sacrifícios. A Lei tinha sido dada; o homem pecava; surgiam barreiras; se fazia o sacrifício destinado a restabelecer as relações quebradas, recuperar o acesso perdido e abrir de novo o caminho a Deus. Os sacrifícios eram ofertados ano após ano, mas não podiam aperfeiçoar os ofertantes (os adoradores – Hebreus 10:1).

Mas, segundo toda a experiência da vida era que precisamente isso era o que o sacrifício não podia conseguir. Era preciso repetir uma e outra vez os sacrifícios; os mesmos sacerdotes eram pecadores e devia oferecer em primeiro lugar sacrifícios por seus próprios pecados (Levítico 9:7); nenhum sacrifício de animal é capaz de tirar efetivamente a culpa do pecado (Hebreus 10:2-4). A prova da ineficácia de todo este Sistema Levítico estava em que os sacrifícios se deviam continuar ininterruptamente. O sacrifício da antiga aliança era uma batalha perdida e ineficaz para remover o pecado e a barreira que se levantava entre o homem e Deus.

Portanto, um dos principais assuntos em Hebreus é que todos os crentes, AGORA, têm acesso direto a Deus sob a Nova Aliança e, consequentemente, podem aproximar-se do trono de Deus, no Santo dos Santos, corajosamente, confiadamente, tendo as suas consciências purificadas pelo sangue de Jesus Cristo. E, consequentemente, todos conhecerão e serão ensinados pelo Senhor (Hebreus 10:19-23 e 8:6-13). Por isso encontramos, muitas vezes, em Hebreus os verbos acheguemo-nos, aproximemo-nos e a exortação a não nos afastarmos. Por meio de Jesus Cristo, agora, podemos nos achegar a Deus.

Hebreus 4:16Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna“. Hebreus 10:22 “…aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura“. Hebreus 7:25 Por isso, também pode salvar totalmente os que POR ELE se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. Hebreus 11:6De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam“. Hebreus 12:18-22Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade,… Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia“. No Sinai havia “Trovões e raios” – A apresentação visual dramática da presença de Deus na montanha, acompanhada de nuvens densas e toques de trombeta, deixou os espectadores mais do que impressionados com a majestade e o poder de Deus. Eles tremeram, inclusive Moisés (Hebreus 12:21). O que estava acontecendo era incomum; não eram os fenômenos normais provocados por atividade vulcânica, como alguns têm sugerido.

O ensino primário simbolizado pelo serviço do Tabernáculo era que os crentes, sob o pacto da Lei, não tinham acesso direto à presença de Deus (9:8-11a), razão pela qual haviam sido excluídos do Santo dos Santos. Portanto, os ensinamentos de Hebreus podem ser brevemente resumido da seguinte maneira: os crentes em Jesus Cristo, como sacrifício perfeito de Deus pelo pecado, têm o Sumo Sacerdote perfeito através de cujo ministério tudo é novo e melhor do que sob o pacto da Lei.

O uso do tempo presente em 5:1-4; 7:21,23,27,28; 8:3-5,13; 9:6-9,13,25; 10:1,3, 4,8,11; e 13:10,11 sugere que o sacerdócio levítico e o sistema de sacrifícios ainda estavam em curso quando a epístola foi composta. Uma vez que o templo foi destruído pelo general (e, mais tarde, imperador) Tito Vespasiano, em 70 d.C., a epístola deve ter sido escrita antes dessa data. Além disso, é possível notar que Timóteo acabara de ser solto da prisão (13:23), e que a perseguição estava se tornando cada vez pior (10:32-39; 12:4; 13:3). Esses detalhes sugerem que a epístola foi escrita em torno de 67-69 d.C.

Pano de fundo e cenário:

A ênfase no sacerdócio levítico e nos sacrifícios, ao lado da ausência de qualquer referência aos gentios, confirma a conclusão de que a destinatária destes ensinamentos era uma comunidade de hebreus. Embora esses fossem primordialmente convertidos a Cristo, havia provavelmente um número de incrédulos em seu meio que, embora atraídos pela mensagem de salvação, ainda não haviam assumido um compromisso total de fé em Cristo. Uma coisa é bem clara no conteúdo de Hebreus: essa comunidade de hebreus enfrentava a possibilidade de ter a perseguição intensificada (10:32-39; 12:4).

Ao se confrontarem com essa possibilidade, os hebreus sentiram-se tentados a deixar de lado qualquer identificação com Cristo. Eles podem ter considerado o rebaixamento de Cristo de filho de Deus a um simples anjo. Tal precedente já havia sido estabelecido na comunidade de judeus messiânicos em Qumran, os quais viviam perto do mar Morto. Eles abandonaram a sociedade, estabeleceram uma comunidade religiosa e incluíram a adoração de anjos em sua marca de judaísmo reformado. A comunidade de Qumran chegou até mesmo a afirmar que o anjo Miguel tinha um status mais elevado que o Messias vindouro. Esses tipos de aberração doutrinária poderiam explicar a ênfase no capítulo 1 em relação à superioridade de Cristo sobre os anjos.

A geração de hebreus que recebeu essa epístola havia praticado os sacrifícios levíticos no templo em Jerusalém. Os judeus que viviam no exílio haviam substituído a sinagoga do templo, mas ainda sentiam uma profunda atração pela adoração no templo. Alguns dispunham dos meios para fazer peregrinações regulares ao templo em Jerusalém. O escritor dessa epístola enfatizou a superioridade do cristianismo sobre o judaísmo e a superioridade do sacrifício final de Cristo sobre os repetidos e imperfeitos sacrifícios levíticos observados no templo.

O sacerdote perfeito e o sacrifício perfeito

O que os homens precisavam era um sacerdote perfeito e um sacrifício perfeito; alguém que pudesse oferecer um sacrifício que de uma vez para sempre abrisse o acesso a Deus. Isto é exatamente o que, nos escritos aos Hebreus, fez Jesus Cristo. Ele é o Sacerdote perfeito porque é ao mesmo tempo homem perfeito e perfeito Deus. A Sua divindade pode trazer Deus ao homem e a Sua humanidade pode levar o homem a Deus. Ele não tem pecado. O sacrifício perfeito que oferece é o de Si mesmo: um sacrifício tão perfeito que não precisa ser repetido jamais (Hebreus 10:11-14).

Aos judeus o escritor de Hebreus dizia: “Durante toda a sua vida vocês estiveram buscando o sacerdócio perfeito que pudesse oferecer um sacrifício perfeito para recuperar o acesso a Deus e anular as barreiras para poder viver para sempre na devida relação com Deus. Isto é o que têm em Jesus Cristo e só nEle”. Cristo aboliu a parede de separação: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade…” (Efésios 2:14). Jesus Cristo é o Caminho que nos leva ao Pai.

Aos gregos o autor de Hebreus dizia: “Vocês andam buscando o caminho para sair das sombras à realidade; vocês o encontrarão em Jesus Cristo.” Para o autor de Hebreus, Jesus era a única pessoa na Terra que dava acesso à realidade (verdade) e a Deus. Este é o pensamento-chave dos ensinamentos aos Hebreus.

Para outros a religião é o acesso a Deus. É o que os leva à própria presença de Deus, o que remove as barreiras, o que elimina os estranhamentos e abre as portas à presença viva do Deus vivente. Isto significava a “religião” para o autor de Hebreus. Sua mente está obcecada por esta ideia. Encontrava em Cristo a única Pessoa que podia conduzi-lo à presença de Deus. A porta que tinha estado fechada foi aberta pelo que Jesus foi e fez.

Toda a ideia de “religião” se resume na importante passagem de Hebreus 10:19-23, que éo centro do ensinamento: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel”. Se o autor de Hebreus tinha um texto e um lema era o seguinte: “aproximemo-nos“.


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E aqui abaixo, o estudo completo em PDF (33 páginas), para você se aprofundar nos ensinamentos de Hebreus.

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