1. REINO DE DEUS

A Visão e a Mensagem do Reino de Deus (Parte II – A Era da Administração do Reino)

Estamos dando os primeiros passos na Era do Reino, quando entraremos na Administração do Reino. Administração é o termo exato. Ao participar da administração, você lida diretamente com autoridade, principados e potestades, espíritos elementares, a criação de ministérios, imposição de mãos, finanças – um campo em que não se tem apenas contadores, mas pessoas que liberam o dinheiro. Isto precisa ser elevado ao nível espiritual onde tudo que pertence ao mundo do Senhor (todas as coisas, TUDO) se funde no Reino.

A Era da Administração do Reino

O tempo em que estamos vivendo, segundo o texto original em Efésios, é chamo de “administração adequada” para essa dispensação: “…de fazer convergir nele” (em Cristo), “na DISPENSAÇÃO da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra…” (Efésios 1:10). É uma palavra formidável! Uma “administração adequada” à dispensação da Era do Reino. Paulo ensina que o Reino de Deus é a administração de Cristo sobre todo um mundo criado, os céus e a terra.

A palavra grega empregada para dispensação é OIKONOMIA. Esta palavra aparece algumas vezes no Novo Testamento. Nas versões da Bíblia existentes em português, os tradutores do grego preferiram traduzi-la por serviçoou dispensação. Todavia, seu significado é mais amplo. Literalmente, oikonomia (oikos = casa e nomos = distribuir ou designar) significa o administrador de uma casa ou propriedade. O primeiro emprego da palavra oikonomia foi para designar a gerência de uma casa (lar), mas logo se estendeu à administração de estado. O significado mais amplo de oikonomia é a gerência de qualquer estado, ou seja, um GOVERNO, uma ECONOMIA POLÍTICA.

Muitos de nós já estamos familiarizados com a palavra economia. Essa palavra é popularmente relacionada com assuntos financeiros. Mas ela tem, na verdade, um sentido mais amplo: Na administração de um país, por exemplo, a economia consiste no plano administrativo que o presidente daquele país pretende cumprir e concluir no seu período de governo. Esse tipo de economia é composta de vários itens, tais como finanças, exército, educação, saúde, cultura, relações exteriores e outros.

O Reino de Deus estabelecerá uma ORDEM SOCIAL inteiramente nova, e essa será governada pelo poder de Cristo, quando todas as coisas serão convergidas a Ele. Isso é o que significa a “administração adequada” à nova dispensação do Reino, o Estado eterno.

Em Efésios Paulo fala que Cristo administrará, governará, sobre “TODAS AS COISAS”. No original grego, “ta panta”, isto é, a criação inteira, incluindo todos os seres inteligentes. Esse é o gigantesco mistério aqui revelado por Paulo. A expressão “tanto as do céu, como as da terra”, indica que todos os mundos criados por Cristo voltarão à Sua administração e governo (confira João 1:1-3, 10.

O texto de Colossenses 1:13-23 explica maravilhosamente a extensão da obra de salvação, regeneração e reconciliação feita por Jesus Cristo. Explica claramente o que é o Reino de Cristo: 

“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro”.

Ora, ao nos referirmos a Cristo como Rei, estamos falando da Sua administração no Reino. É claro que não vamos formar um quadro de diretoria em nossas igrejas. Efésios fala de uma administração adequada à dispensação da plenitude dos tempos, que nos foi concedida por Deus. Assim como houve uma administração adequada à Era da Igreja, durante estes 2.000 anos, neste terceiro milênio o Senhor está trazendo a administração do Reino. Isso significa que Deus vai criar (entre nós) uma administração que não se trata apenas de uma igreja controlada por meros homens de negócios. Estamos dando um passo muito definido e positivo. Este é um caminho pelo qual nunca passamos antes.

Os mordomos ou administradores do Reino

Antigamente, as grandes casas eram administradas por mordomos ou ecônomos (do grego oikonomos). Eles eram encarregados de administrar e dispensar todas as riquezas do dono da casa, para suprir as necessidades de toda a família. Deus tem uma grande casa e há necessidade de mordomos ou ecônomos para distribuir Suas riquezas aos da casa.

O que vamos fazer? 1 Coríntios 12:28 fala dos vários ministérios que o Senhor está capacitando: GOVERNOS (administração), socorros (área de assistência social e saúde), apóstolos, profetas e ministérios de cura. Precisamos entender que o REINO LIDA COM A ADMINISTRAÇÃO, A MORDOMIA e A GERÊNCIA. Portanto, o que está na mente de Deus é uma unção e capacitação que está sendo dispensada para ADMINISTRAR OS NEGÓCIOS DO PAI – o Seu Reino. “E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” (Lucas 2:49 – Versão Revista e Corrigida).

É importante que entendamos que a Equipe Apostólica e os presbíteros (os bispos, supervisores das igrejas locais) têm a unção divina para administrar a casa do Senhor. Mas a unção irá além das portas da igreja, assumindo o governo nas diversas área da sociedade.

Paulo era um ecônomo, conforme ele mesmo disse em Efésios 3:1, 2 – “Por esta causa eu, Paulo… se é que tendes ouvido a respeito da DISPENSAÇÃO” (economia) “da graça de Deus a mim confiada para vós outros…”. A revelação da graça de Deus foi confiada a Paula para que ele distribuísse esta riqueza aos crentes. Também em Colossenses 1:24, 25 está escrito: “A igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação (economato) da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor”. Paulo está falando da responsabilidade de despenseiro (oikonomia). A passagem de 1 Coríntios 4:1 deixa claro que Paulo e seus cooperadores, a Equipe Apostólica, tem o comissionamento de despenseiros: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e DESPENSEIROS dos mistérios de Deus”. A Equipe Apostólica lida diretamente com a ADMINISTRAÇÃO e ECONOMIA DO REINO DE DEUS.

Também os presbíteros (os bispos) devem ser ecônomos nas igrejas locais. A orientação apostólica é que o presbítero “governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo respeito (pois se alguém não sabe GOVERNAR a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)”, 1 Timóteo 3:4, 5. A passagem de Tito 1:7 também orienta que “o bispo seja irrepreensível como DESPENSEIRO de Deus”

Já o versículo de 1 Pedro 4:10 enfatiza que todos os membros do Corpo de Cristo devem “servir uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como  bons DESPENSEIROS da multiforme graça de Deus”. Ou seja, este texto confirma que no Reino, todos nós precisamos entrar nesta unção de DOMÍNIO e ADMINISTRAÇÃO. Por isso muitas das parábolas ensinadas por Jesus tratam do assunto da administração e mordomia no Reino. Em Mateus 25:14-30 Jesus ensina “A Parábola dos Talentos”. Também em Lucas 19:11-27 é ensinada “A Parábola Das Dez Minas”, que fala de certo homem nobre que partiu para uma terra distante, deixando seus servos para administrarem os seus bens e depois voltaria para o acerto de contas. Em sua volta, aquele homem entregou cidades para serem administradas pelos seus servos – os servos foram fiéis no pouco, por isso o senhor pode confiar as cidades. Esta parábola faz a ligação da administração com a autoridade delegada. Observe o versículo 27 que usa uma expressão muito forte a respeito do Reino de Deus: “Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença”.

Semelhantemente “A Parábola dos Talentos”, em Mateus 25:14-30, ensina a respeito da economia dos bens do Reino. Os talentos, ou minas, são distribuídos segundo a capacidade administrativa de cada servo. No texto seguinte, 31 a 46, Jesus continua ensinando a respeito do Reino.

Hoje, o Senhor está nos ungido para sermos os despenseiros, mordomos dos mistérios do Reino de Deus. E a Palavra Viva é o celeiro que alimentará muitos povos. Estamos tão adiantados nisto! Nem temos ideia de quanto! “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (foi dado a Paulo nos falar a respeito destas fantásticas riquezas no tesouro; elas são incríveis, muito profundas para nós) “e manifestar qual seja a dispensação do mistério” (esta é a administração do Reino), “desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais…” Efésios 3:8-10.

Deus é o Rei e a Sua nação é chamada céus. Portanto, o Reino não é uma religião, mas sim um governo com a sua economia. O reino é uma nação governada por um rei. Deus é Rei e os céus é Sua nação espiritual, invisível, sobrenatural, mas é real. A Bíblia diz que as coisas invisíveis (o celestial) são mais reais do que as visíveis, e as visíveis vieram à existência a partir das coisas invisível, pois os céus surgiram primeiro e é mais antigo que a Terra. Os céus produziram o universo (Gênesis capítulo 1 e João 1:1-4). O plano de Deus era expandir o Seu Reino invisível em um Reino visível na terra. Deus criou o universo físico para expandir o Seu Reino invisível no mundo visível, do sobrenatural para o natural. E a Terra foi escolhida para isso: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro”, Isaías 45:18. “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (Colossenses 1:16, 17). O que acontece no Reino dos céus acontece aqui. Esta é o projeto original de Deus: “…venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu…” (Mateus 6:10).

E nós, a raça humana, fomos criados para estender o Seu Reino, para gerenciar e administrar o domínio da Terra. O propósito da raça humana foi o domínio e governo da terra. Nós fomos criados para governar e administrar a terra.

Portanto, a queda do homem não foi uma queda dos céus, mas do domínio terrestre. E o alvo da redenção não foi apenas restaurar o homem trazendo-o de volta aos céus, mas restaurar o Reino dos céus de volta à terra. O domínio de Deus sobre a terra. Então o propósito da vinda de Jesus Cristo não foi apenas reconciliar a humanidade com Deus, o Pai, mas trazer o Seu Reino a esta terra. A restauração do Reino de Deus a esta terra é o alvo principal de Deus. A Bíblia inteira se refere a este projeto de Deus. A Bíblia não fala sobre religião, mas sobre o Reino e o domínio, a administração de Jesus Cristo.

Aos administradores são dadas as CHAVES do Reino

Jesus, certa vez, falou para Pedro, após ele ter recebido do Pai a revelação de que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus vivo: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. (Mateus 16:19). Jesus disse a Pedro que ele não chegou àquela conclusão por seu próprio raciocínio; isso lhe foi dado por uma revelação divina. Portanto, as chaves do Reino representam as revelações, o conhecimento dos princípios do Reino, os segredos e os mistérios do Reino.

Precisamos saber como utilizar as chaves, os princípios ou os segredos do Reino. Em outra ocasião Jesus disse aos Seus discípulos: “A vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus”. (Lucas 8:10b). Algumas coisas que fazem parte dos segredos do Reino são: A revelação dos princípios do Reino, a operação de milagres e as obras maiores (João 14:12-14).

Os apóstolos têm as chaves da despensa que liberam os segredos e mistérios do Reno: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”. (1 Coríntios 4:1). Vamos orar mais pela Equipe Apostólica, para que estes mistérios sejam revelados ou destrancados e o suprimento do Reino seja dado, não somente à Igreja, mas também às nações. “… conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos”. (Romanos 16:25b). “… pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente.” (Efésios 3:3). “… o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos.” (Colossenses 1:26).

Os mordomos têm as chaves para abrir a despensa e promover o suprimento para os moradores da casa. Por isso, entendemos que uma das chaves do Reino é a oração em nome de Jesus: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei”. (João 14:14). A oração em nome de Jesus abre portas que trazem suprimento para os filhos do Reino.

As chaves também são símbolos da autoridade, pois quando temos as chaves de algum lugar, isso significa que possuímos autoridade naquela local. E uma outra chave que temos do Reino é a autoridade para perdoar pecados. A passagem de Mateus 18:18 Jesus usa a expressão sobre “ligar e desligar” associando-a ao contexto do perdão de pecados. A mesma expressão é usada quando Ele fala das chaves do Reino, para ligar e desligar em Mateus 16:19 – “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. Esta autoridade para perdoar pecados repousa sobre nós.

A passagem de João 20:21-23 registra o grande comissionamento de Jesus ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos. Os discípulos são comissionados a perdoar ou reter pecados: “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos”. Esta é uma das chaves que possibilita abrir a porta do Reino para alguns e, para outros, fechar a porta.

As chaves também representam poder e controle: “Naquele dia, chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias, vesti-lo-ei da tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa e lhe entregarei nas mãos o teu poder, e ele será como pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá”. (Isaías 22:20-22). Aquele que nos dá as chaves ao mesmo tempo nos outorga poder, isso é semelhante a receber controle. E uma das chaves que recebemos no Reino é a autoridade sobre todo o poder de Satanás: “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10:19). Isso significa que temos o controle na esfera do espírito.

O conhecimento nos dá controle sobre as coisas e o controle é uma das funções da chave. A ignorância e falta de entendimento impedem as pessoas de usarem a chave para as suas vidas. Quando você conhece uma coisa, você a domina.

O ensino do Reino, com autoridade, também é uma chave que abre o entendimento das pessoas para o Reino: “Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a CHAVE DA CIÊNCIA; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando”. (Lucas 11:52). Jesus ensina que chave também é um símbolo da autoridade para aplicar os ensinamentos do Reino à vida das pessoas. Esta chave pode abrir a porta do Reino para as pessoas pelo aconselhamento. Os ministérios de ensino no Reino – apóstolos, mestres e pastores, têm esta chave do ensino do Reino em suas mãos.

Jesus usou esta chave para abrir o entendimento de Seus discípulos: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras“. E, ainda: “A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus“ (Lucas 24:44, 45 e Atos 1:3). Também em Atos 8:26 a 40 temos a narrativa de Filipe, que foi guiado pelo Espírito Santo até o eunuco para abrir o entendimento dele a respeito de Jesus, o Salvador.

Note que os ensinamentos do Reino são as chaves do Reino. Temos ensinamentos sobre oração, perdão, amor, autoridade, impartição, relacionamento, adoração e outros que são chaves que liberam a provisão do Senhor no Seu Reino.

Jesus tem a chave da morte e do inferno: “… e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno”. (Apocalipse 1:18). Isso significa que Jesus tem autoridade sobre a morte e também para lançar as pessoas no inferno eterno. Portanto, no Reino recebemos as chaves para ressuscitar os mortos.

O Reino é a nossa herança

Jesus veio para restaurar o que Adão perdeu. Adão era a extensão de Deus na terra e ele perdeu esta honra. Adão perdeu o seu reino através da desobediência. É por isso que Jesus Cristo é chamado de o segundo Adão (1 Coríntios 15:45), porque veio novamente ao planeta para restaurar o que o primeiro Adão havia perdido. Jesus é o Rei original dos céus e dono da terra. Mateus 25:34“Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: Vinde bendito do meu Pai, recebam como HERANÇA O REINO que vos foi preparado desde a fundação do mundo” (Hebreus 4:3b). Quando? “Desde a fundação ou a criação do mundo”. Leia novamente este versículo, grave-o em seu coração.

Jesus disse que a nossa herança é o Reino. “Bem-aventurados os humildes de espírito, pois deles é o Reino dos céus”, Mateus 5:3. Jesus veio à terra para restaurar de volta a você o que você havia perdido. Você não perdeu uma religião, você perdeu o Reino, você perdeu a autoridade, o governo, a administração e o poder sobre a terra, sobre o mundo criado. Esta é a nossa herança.

A Prioridade do Reino de Deus

Buscai o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar
(Mateus 6:33)

O Reino de Deus deve ser a nossa prioridade e maior motivação. Jesus nos dá a maior chave para a nossa felicidade plena em um pequeno versículo, mas que tem um significado infinito: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6:33). Alguns conceitos divinos estão escondidos nesta afirmação do Senhor e que vamos explorá-los a seguir, para que possamos adentrar na JUSTIÇA e nossos DIREITOS DO REINO – todas estas coisas vos serão acrescentadas.

O primeiro conceito é o REINO. Reino refere-se ao governo de um rei sobre um território colonizado (ainda estudaremos sobre a Colonização do Reino). Portanto, o Reino dos céus refere-se ao domínio soberano e à influência governamental dos céus sobre esta terra, manifestando uma cultura que reflete a natureza, os valores e a moral régios. Então, buscar em primeiro lugar ao REINO DE DEUS refere-se à nossa aceitação do governo e domínio de Deus sobre as nossas vidas, e a Jesus Cristo como nosso único Senhor e Rei.

A tarefa de BUSCAR o Reino e a justiça de Deus em primeiro lugar é uma ordem dada por Jesus e não uma sugestão. A primeira parte da prioridade divina é a ordenança divina de BUSCAR o Reino. O texto de 2 Timóteo 2:15 expressa o conceito bíblico de buscar: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. O termo grego traduzido como procurar é spoudazo, que também significa estudar ou trabalhar. Buscar o Reino, portanto, significa estudá-lo com diligência. Apenas por um estudo dedicado, uma análise apurada, podemos conhecer os segredos do Reino e da Palavra de Deus. Ele é tão amplo que podemos passar o resto da vida explorando-o sem nem ao menos arranhar a superfície.

A expressão em PRIMEIRO LUGAR não significa colocar o Reino, ou a vontade soberana do Senhor, em vantagem entre muitas outras coisas, mas sim tê-lo como primeiro e único. Deus exige direitos exclusivos de adoração, amor e dedicação. Portanto, buscar o Reino de Deus em primeiro lugar significa levar em conta os interesses do Reino antes de tomarmos decisões – quando e onde estudar, com quem casar, que emprego aceitar, qual negócio empregar nosso tempo e dinheiro. Antes de decidir sobre essas e outras questões, temos de fazer-nos a pergunta: “Isso está em concordância com o Reino de Deus?” ou: “O que desejo fazer, ou com quem desejo associar-me, será benéfico ao Reino de Deus?” Desenvolver o hábito de considerar o Reino em primeiro lugar e nos submeter à vontade soberana do Rei, nos ajuda a fugir de muitos erros e decisões ruins.

Lembre-se que o conceito de Reino é a influência do Rei sobre um território. Portanto, ao buscarmos o Reino de Deus em primeiro lugar, aceitamos que a influência do Rei se estenda sobre nossa vida particular, nossos negócios, nossos estudos, nossa vida profissional, nosso casamento, nossos relacionamentos, nossa vida sexual e todas as outras áreas de nossa existência.

Também se lembre que esta influência do Reino significa a administração do Reino sobre nossas vidas. Creio que um dos maiores “pecados” contra o Reino é a má administração de nosso tempo, bens e vida. Para vivermos os benefícios do Reino precisamos aprender a administrar os tesouros que nos foram confiados. Por isso Jesus sempre ensinou a respeito de administração, no Seu Reino.

Por fim, é importante sabermos que para buscarmos o Reino de Deus em primeiro lugar precisamos compreender esse Reino e os princípios pelos quais ele operar. E, este mesmo versículo fala que o Reino opera em sua JUSTIÇA.

A JUSTIÇA DO REINO implica em uma atitude de obediência e retidão diante da CONSTITUIÇÃO do Reino, aos preceitos legais, cumprindo as exigências do Rei. O Reino de Deus não pode ser separado de sua Justiça, por isso o texto enfatiza buscar o Reino de Deus E A SUA JUSTIÇA com prioridade em nossas vidas. A justiça de um reino sempre reflete a natureza e o caráter do Reino. O Senhor é justo, logo seu Reino também é justo.

Fixe isso em seu coração, o Reino e a Justiça andam justos, não podemos separá-los: “Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade vão adiante do teu rosto”. (Salmo 89:14). O trono, o governo de Deus, está fundamentado em Sua Justiça. O que dá segurança e fundamento ao Reino é a Sua JUSTIÇA.  Este Salmo está afirmando que Deus aplica a Sua justiça e juízo através de um olhar misericordioso e com verdade. Portanto, a Justiça do Reino é coberta de misericórdia (compreensão) e verdade.

Juntamente com o Reino vem a justiça do Senhor, os dos andam juntos. Não podemos habitar no Reino sem ela. E o que significa este vocábulo? O termo básico no Novo Testamento para justiça é DIKAIO, uma palavra poderosa e com amplo significado no Reino (e nas Escrituras). Justiça significa aqueles que estão retos, justos e justificados diante de Deus. Esse termo também descreve a qualidade de alguém que age sem preconceito ou parcialidade. Outra palavra relacionada a essa, dikaiosune, significa justiça ou retidão.

No Antigo Testamento, dois vocábulos em hebraico, SEDEQ e SEDAQAH, carregam o significado de justiça. Essas palavras estão relacionadas entre si, assim como o termo justiça está ligado ao convívio do ser humano com Deus. Sedeq e sedaqah são termos legais que significam justiça em conformidade com o escopo da lei. Veja Deuteronômio 16:20 – “A justiça seguirás, somente a justiça, para que vivas e possuas em herança a terra que te dá o Senhor, teu Deus“. Alcançamos as promessas e recebemos a herança, por andarmos na justiça de Deus. O “escopo da lei” consiste de todas as diretrizes e do código legal de um país.

JUSTIÇA é um termo legal, e não uma palavra de cunho religioso. Ela diz respeito à relação dos cidadãos com o governo, e esse relacionamento está baseado na obediência das pessoas à CONSTITUIÇÃO do país, para que não tenham conflitos com as autoridades governamentais e não coloquem em risco seus DIREITOS e PRIVILÉGIOS. Justiça diz respeito ao nosso relacionamento com o governo e com o Rei. Toda nação exige que seus habitantes ajam com justiça, seja em uma república, em uma democracia, em um estado comunista ou em um reino, porque viver a justiça significa simplesmente que a pessoa age em conformidade e obediência à Constituição. Então podemos transliterar a ordem de Jesus: “Dedique-se diligentemente às coisas do Reino e viva a Sua justiça e retidão. Vivendo assim, a Constituição do Reino garantirá os seus direitos”.

A Constituição do Reino

O funcionamento e a ordem de um Estado (país) são estabelecidos pelas normas estabelecidas na CONSTITUIÇÃO. Nela, também, contém as garantias e os direitos do cidadão. Esse documento é um contrato entre o governo e o povo que estabelece leis, direitos e normas de comportamento. A constituição descreve o que o governo espera dos cidadãos e o que estes podem aguardar das autoridades. Além disso, ela especifica punições para quem transgredi a lei, bom como os recursos legais disponíveis para aqueles cujos direitos forem violados, de modo que possam alcançar justiça.

Assim como os governos do mundo, o Reino de Deus também tem uma Constituição: as Escrituras Sagradas – a Bíblia. No entanto, diferentemente de muitos países terrenos onde o povo redige a constituição, no Reino de Deus o próprio Rei registrou esse documento. Por isso podemos afirmar que a CONSTINUIÇÃO, no Reino, reflete o próprio CARÁTER e JUSTIÇA do Rei. A busca da justiça é o princípio fundamental para os cidadãos (súditos) do Reino de Deus. E a melhor maneira de aprendermos a realizar essa busca é consultar e seguir a Constituição do Reino – a Bíblia. Oh, como precisamos entender mais da justiça de Deus e do Seu Reino!

Entendendo o conceito da justiça, iremos compreender melhor outro termo usado largamente nas Escrituras: JUSTIFICAÇÃO. Estar justificado significa viver em situação correta para com o governo. Quando Jesus nos orienta a buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, Ele quis dizer: “Procurem tornar-se súditos do Reino de Deus e então permaneçam em consonância com a sua Constituição. Se fizerem essas duas coisas – adquirir a cidadania e obedecer à Constituição -, então, tudo aquilo de que necessitarem lhes será acrescentado por direito legal. Este ensinamento é tão simples e abrange todos os aspectos de nossas vidas.

Portanto, viver a justiça do Reino liberará o nosso acesso a todos os direitos, recursos e privilégios do Reino, e que nos são garantidos na Constituição. Viver a justiça é o segredo para uma vida abundante no Reino de Deus.

Além disso, os cidadãos do Reino se beneficiam de seu comportamento correto, justo diante da Constituição, podendo fazer “exigências” ao governo. A justiça nos dá poder. Cidadãos justificados podem exigir o que lhes pertence por direito. Por isso, justiça é um termo legal.

Um novo nível de oração:
a oração de um cidadão do Reino

Jesus ensinou um novo nível de oração: a oração do Reino. A oração no nível do Reino é aquela na qual um cidadão exige do Reino o cumprimento de todos os seus direitos, previstos na Constituição.

Lucas 18:1-8 conta “A Parábola do Juiz Iníquo”. Esta parábola descreve a oração que surge em um contexto legal, e enfatiza uma cidadã viúva que luta insistentemente por seus DIREITOS. O clamor da viúva diante do juiz iníquo era: “Julga, faz justiça, aplica os recursos da lei à minha causa”. O significado deste ensinamento se concentra nos dois últimos versículos: “Não fará Deus justiça” (aplicação dos direitos Constitucionais) “aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?“ (versículos 7 e 8). Jesus ensina que precisamos aplicar, no Seu Reino, esta fé que exige, importunadamente, a aplicação da justiça do Reino de Deus; ou do cumprimento dos direitos contidos na Constituição. Pois estes são de direito dos cidadãos do Reino. Com esta parábola você entenderá melhor a oração que proclama e exige: “Venha o Teu Reino, venha a Tua justiça a esta terra”.

E Jesus também adverte, na parábola da viúva cidadã do Reino, que no nosso clamor pelo cumprimento da justiça iremos encontrar resistência, oposição igual a que encontramos em nossa cidadania terrena. Haverá sempre um juiz iníquo que procura atrasar ou fazer com que a resposta do nosso clamor demore. Satanás usará todos os meios e canais para retardar o cumprimento de nossos direitos.

O versículo 5 diz que a viúva estava a ponto de molestar o juiz. Esta tradução é benevolente, mas no original grego diz literalmente que aquela viúva estava mesmo para ferir debaixo do olho, ou esmurrar o juiz. Você precisa entender que quando se põe a orar, exigindo os seus direitos, você entrará numa batalha espiritual. Daniel 10:12, 13 relata como acontece esta batalha quando oramos ao Senhor. “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.” Quando Daniel se pôs a orar a oração foi imediatamente ouvida nos céus, mas quando o anjo quis trazer a resposta de Deus para Daniel, houve uma oposição espiritual do príncipe da Pérsia, de espíritos malignos.

É sutil esta verdade, pois você não vai pular sobre o pescoço de Deus, mas de Satanás para “brigar” e arrancar os seus DIREITOS. A oração do Reino é feita com exigências da fé e não com petições de incredulidade.

Nossos direitos de cidadania

Agora, então, você poderá viver e andar mais plenamente neste ensinamento de Jesus: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito“ (João 15:7). E este outro texto: “Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa“ (João 16:24).

Concluindo, podemos dizer que, aceitando o Senhorio de Cristo e andando em harmonia à Sua vontade, o resultado é que estaremos aptos a participar dos DIREITOS e PRIVILÉGIOS do Reino: “todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

É importante que entendamos que, em um reino, o bem-estar de todos os súditos é responsabilidade do rei. Isso também se aplica ao Reino de Deus. Por isso Jesus afirma claramente: “Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.” (João 16:23, 24). Se vivermos o Reino, somos uma colônia do Reino e não estamos sujeitos às circunstâncias deste mundo, mas toda nossa subsistência é garantida pelo Rei. Um crente não deve estar sujeito nem ansioso quanto à sua sobrevivência: o que comer, beber, vestir, morar e o dia de amanhã. Vivendo sob a autoridade do Reino, tudo isso nos é garantido por DIREITO. É isso que Jesus quis nos ensinar com: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

Não se relacione com o Reino baseando-se no conceito de membro, mas de cidadão (cidadania). Você é membro do Corpo de Cristo, numa função espiritual, mas é cidadão do Reino de Deus por direito. Não somos membros do Reino de Deus, somos cidadãos do Reino dos Céus. Este é o ensinamento de Cristo e dos apóstolos.

Precisamos entender claramente o conceito de CIDADANIA no Reino e quais os direitos que nossa cidadania nos assegura. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa, e os direitos e privilégios constitucionais que essa pessoa tinha ou podia exercer.

Paulo explica este princípio: “No entanto, a nossa CIDADANIA é dos céus, de onde aguardamos com grande expectativa o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,  que transformará nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso, pelo poder que o capacita a colocar tudo o que existe debaixo do seu pleno DOMÍNIO” (Filipenses 3:20, 21 – Versão King James).

Paulo era judeu de nascença, mas tinha conquistado a cidadania romana. Portanto, tinha dupla cidadania. A cidadania romana dava-lhe alguns direitos e privilégios; e ele soube desfrutar destes seus direitos. Veja o texto onde Paulo confirma a sua cidadania romana: “Quando o estavam amarrando com correias, disse Paulo ao centurião presente: Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado? Ouvindo isto, o centurião procurou o comandante e lhe disse: Que estás para fazer? Porque este homem é cidadão romano. Vindo o comandante, perguntou a Paulo: Dize-me: és tu romano? Ele disse: Sou. Respondeu-lhe o comandante: A mim me custou grande soma de dinheiro este título de cidadão. Disse Paulo: Pois eu o tenho por DIREITO DE NASCIMENTO”. (Romanos 22:26-28). Este texto confirma que a CIDADANIA nos GARANTE DIREITOS.

O título de cidadania romana podia ser comprado por elevado preço. Messalina, esposa do imperador Cláudio, costumava vender títulos de cidadania romana por grandes somas de dinheiro. O título de cidadania do Reino de Deus também tem seu preço – é o preço do negar-se a si mesmo, vender tudo o que tem para tornar-se apto a esta cidadania. Esta verdade é ensinada por Jesus na “Parábola do Tesouro Escondido” e na “Parábola da Pérola”, conforme Mateus 13:44-46.

O apóstolo Paulo afirma que já nasceu homem livre, pois possuía o direito de cidadania romana, por nascimento. Provavelmente algum antepassado distante de Paulo, ou mesmo seu pai, poderia ter comprado para a família de Saulo de Tarso a cidadania romana. Ou, então, seu pai ou avô recebeu a cidadania romana por algum serviço militar elevado.

Outro trecho que fala da nossa cidadania no Reino é Efésios 2:19 que diz: “Portanto, não sois mais estrangeiros, nem imigrantes; pelo contrário, sois conCIDADÃOS dos santos e membros da família de Deus”. Tendo este entendimento de cidadania, a partir de hoje caso alguém pergunte qual é a sua religião ou igreja, você pode responder: “Sou cidadão do Reino de Deus”.

O maior privilégio que se pode receber em uma nação é o de cidadania. Se você nasceu de novo, então já é, por nascimento, cidadão do Reino de Deus. E isso significa que todos os direitos, benefícios e privilégios dessa nova cidadania são seus agora mesmo, podendo desfrutá-los neste instante, aqui mesmo na terra, não em um doce porvir – não precisa esperar até um momento indefinido no futuro, conforme pensam muitas religiões.

Os reinos têm jurisdição sobre seus cidadãos não importando aonde estejam. Um dos principais propósitos pelos quais as nações mantêm EMBAIXADAS em outros países é fornecer assistência aos cidadãos que vivem ou que estejam de viagem naquela nação. Desta forma, qualquer governo tem responsabilidade de cuidar dos cidadãos, seja no país de origem ou no estrangeiro.

Da mesma maneira, não temos de estar no céu para nos beneficiarmos dos recursos e das bênçãos celestiais. Nossa cidadania é constante, e o governo do Reino de Deus exerce jurisdição sobre nós, onde quer que estejamos. A Constituição do Reino (as Escrituras) declara que estamos no mundo, mas não somos deste mundo. Embora vivamos em território estrangeiro (enquanto não herdamos toda a terra), nosso registro oficial não está aqui: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” (Lucas 10:20).

O nosso Rei, Jesus, garante a nossa segurança aonde nós estivermos: “Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura… Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal“ (João 17:11, 12 e 15).

A Igreja é a assembleia do Reino na Terra

O vocábulo grego para igreja é EKKLESIA, que é um termo governamental e não de cunho religioso. Significa, literalmente, aqueles que foram chamados para a convocação do exército. E era também usada pelos gregos para se referir à Assembleia dos cidadãos, ao SENADO ou aos grupos políticos escolhidos pelo governo. Era a Assembleia que tomava decisões políticas e administrativas no império romano. O Senado – a ekklesia – era como um gabinete ministerial em uma democracia moderna. Desta forma, A IGREJA não deve ser associada com uma religião, mas uma força política representativa do Reino de Deus, uma eficiente colônia ou embaixada do Reino nesta terra.

Pois vosso Pai celeste sabe que necessita de todas estas coisas

“… Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6:31-33)

Com essa simples mensagem, Jesus lançou por terra todos os motivos que a maioria de nós tem para trabalhar todos os dias. Ele anulou todas as coisas que nos motivam a sair de casa de manhã. Em vez de trabalhar para viver, devemos trabalhar a favor do Reino e em busca da justiça (fazer prevalecer a Constituição). Se fizermos isso, como prometeu o Rei Jesus, Deus acrescentará tudo o mais a nós. Os bens virão até nós sem que tenhamos de esforçar-nos ou preocupar-nos com eles. Essa é a maneira de pensar e viver no Reino. Deus deseja suprir nossas necessidades, porque Ele é o Rei e Pai celeste.

Esta afirmação de Jesus elimina quase que completamente a nossa lista de oração e alinha nossa motivação quando vamos à casa do Senhor. Muitos cristãos não desenvolveram em sua fé a prioridade do Reino. Em vez de encararem Cristo e Seu Reino como um fim ou o objetivo de sua fé, simplesmente o usam como um meio para obterem o que realmente desejam – bens materiais.

Se buscarmos ansiosamente as coisas materiais e nos inquietarmos pelo que comer, beber, vestir, morar e a respeito do nosso futuro, estamos nos assemelhando com os gentios e também atamos as mãos do Senhor. No Reino, a busca de bens materiais desonra o Rei. Esta verdade se assemelha a um relacionamento entre pai e filhos. Imagine se seus filhos viessem até você todos os dias com a mesma pergunta: “O senhor nos dará comida hoje? Teremos algo para beber? O senhor não reparou que minhas roupas estão velhas? O senhor não percebe que estou precisando disso e daquilo?” Como pai ou mãe você ficará desapontado e talvez até ressentido com essa demonstração de falta de fé em sua capacidade e seu compromisso de cuidar deles. Creio que Deus se sente da mesma maneira quando vê muitos de nós constantemente preocupados com o pão de cada dia e com outras necessidades.

Precisamos entender que, no Reino, temos acesso aos direitos de cidadania. Quando buscamos ativamente a JUSTIÇA em nossa vida diária, obedecendo às ordens de Cristo, desfrutamos um nível de segurança, proteção e de direitos que as pessoas que não pertencem ao Reino (os gentios, que não conhecem a Deus) não possuem. Deus deseja que todos os cidadãos do Seu Reino, Seus filhos, sejam independentes financeiramente. Isso não significa que não teremos de pagar contas, mas que sempre possuiremos os recursos para fazê-lo antes que elas vençam. A riqueza do Reino de Deus não consiste em acumular bens, mas em ter acesso a tudo. Sempre que precisarmos de algo, isso nos estará disponível.

É hora de nós sairmos do controle desse sistema em nossos comportamentos e em nossa mentalidade. Isso acontecerá quando nos submetermos completamente ao Reino de Deus e às suas leis e princípios. Tudo que o Senhor nos pede é que busquemos em primeiro lugar o Seu Reino e a Sua justiça, pois, com ou sem sistema, com dificuldades ou não no mundo, Ele nos acrescentará tudo o mais. O Rei garante nosso sustento e bem estar no Reino.

O que temos de fazer? Dedicar-nos ao Reino e buscarmos a JUSTIÇA. A justiça é uma exigência do Reino. Vivendo a justiça do Reino, praticando as orientações da Constituição do Reino, vivemos sobre as garantias e benefícios do Reino. Vivendo a justiça, uma vida reta segundo as Escrituras (a Constituição do Reino), atraímos o interesse de Deus, porque Ele é justo. O Rei, então, contemplará favoravelmente todos aqueles que procuram viver corretamente na fé. Assim como os súditos de reinos terrenos anseiam pelo favor dos reis deste mundo, nós também devemos buscar alcançar o favor do Rei. Precisamos aguarda até que Ele estenda Seu cetro para nós: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros” (Hebreus 1:8, 9).

Lembre-se que o CETRO é o símbolo da autoridade do rei. Todo aquele que está debaixo do cetro do rei recebe proteção, cuidado e privilégios. Ninguém poderia entrar na presença do rei a menos que este estendesse o cetro na direção da pessoa. Se um rei deseja demonstrar seu favor a nós, estenderá o cetro em nossa direção, e a próxima coisa que ele disser se torna lei em nossa vida. Quando o Senhor decide dar-nos algo, nada no céu ou na terra pode impedi-lo.

Leia os textos nas Escrituras que falam a respeito dos JUSTOS. Então você compreenderá que os justos têm privilégios e direitos no Reino de Deus. Jó 36:7 afirma que o Senhor nunca tira os olhos do justo (confira ainda Salmo 34:15). O Salmo 5:11, 12 garante que a graça de Deus cerca os justos como um escudo, que obviamente é uma arma defensiva que protege o usuário rechaçando os ataques de um inimigo. Desde que estejamos andando em retidão, sendo justo perante Deus, Ele nos livra de qualquer problema. Isso não significa que nunca enfrentaremos dificuldades, mas sim que poderemos confiar em Deus para livrar-nos e dar-nos força par prevalecer. Ele não nos abandona durante as adversidades (leia o Salmo 34:17-22).

Jesus prometeu que a casa edificada em uma fundação sólida resistirá às tempestades (Mateus 7:24, 25). Jesus afirmou esta verdade no final do “Sermão do Monte” que, nada mais é, do Seu ensino sobre os princípios do Reino e do caráter de um cidadão do Reino. E todo o capítulo 6 de Mateus fala da prática da JUSTIÇA segundo o espírito do Reino: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles, doutra sorte não tereis galardão” (recompensas e privilégios) “junto de vosso Pai celeste” (Mateus 6:1). Esta afirmação introdutória de Jesus visa eliminar toda motivação RELIGIOSA de nossos corações e estabelecer a JUSTIÇA do Reino em nossas vidas.

Seguindo Seu ensinamento sobre a Justiça do Reino, e à ordenança para sermos justos, Jesus fala que precisamos ser generosos para com o nosso próximo (darmos esmolas), versículos 2 a 4. Nos versículos 5 a 15 mais uma vez confronta a natureza religiosa de nossas orações e ensina como deve ser a oração de um justo e que atrai a recompensa do Pai celeste. A prioridade de nossas orações deve ser o Reino: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, (Mateus 6:9, 10).

A terceira justiça que atrai as recompensas do Rei é a forma como nos dedicamos ao Jejum em favor do nosso próximo. Jesus mostra o contraste de um jejum religioso e um jejum de um filho do Reino: “Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto”, pois nosso jejum deve ser diante do nosso Pai, que vê em secreto. Este ensinamento está em conformidade com Isaías 58.

Já no texto de Mateus 6:19-34 Jesus ensina a respeito do padrão de riqueza do Reino. E assim por diante. Por fim, no final do estabelecimento dos princípios e fundamentos do Seu Reino, ele garante que todos os que ouvirem estes Seus ensinamentos e praticarem, estará edificando a sua vida sobre um FUNDAMENTO INABALÁVEL (Mateus 7:24 a 27).

Um dos motivos de muitas pessoas terem dificuldade de compreender o conceito do Reino dos céus está no fato de que isso exige delas uma transformação de mentalidade. Passar da perspectiva mundana para a visão do Reino requer uma mudança de paradigma. Por isso a mensagem inicial, para quem quer viver o Reino é: “Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo” (Mateus 4:17). E “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (João 3:5-7).

Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus”. (Mateus 18:3). A expressão grega straphete, significa “virar”, “mudar completamente” e está relacionada a uma nova vida voltada para Deus. Ser como uma criança, é admitir um novo começo e dispor-se humildemente a aprender a viver como cidadão do Reino dos céus.

A partir da perspectiva mundana, os bens materiais são um fim em si mesmo. As pessoas buscam adquirir bens para satisfazerem seus desejos egoístas, preencherem o vazio em seu coração e impressionarem outras pessoas, bem como melhorando seu status e sua posição aos olhos da sociedade. Até mesmo as coisas boas que se esforçam em praticar têm a intenção de ser elogiado pelas pessoas. Já para os cidadãos e súditos do Reino, em contrapartida, os bens são um meio, meros subprodutos de uma vida JUSTA, e que devem ser usados não para satisfação egoísta, mas para abençoar outras e expandir o Reino.

Todos os recursos do Reino estão à nossa disposição: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus” Mateus 5:3. Se abandonarmos os nossos pensamentos de posse nos esvaziarmos de toda a avareza, temos acesso a todos os recursos do Reino. Os seres humanos não foram criados para trabalhar em busca de provisão, mas sim com o propósito de expandir o conhecimento e a influência do Reno dos céus por toda esta terra.

Nosso sucesso nessa tarefa de vivermos como colonizadores do Reino exige provisão diária adequada. Assim como o general sábio não envia suas tropas ao campo de batalha sem antes garantir que tenham todo o equipamento e as provisões de que necessitam para cumprir a missão, o Senhor também não nos envia para cumprir nosso propósito sem fornecer-nos os recursos necessários para realizá-lo. Portanto, aonde quer que formos, devemos estar motivados, não pela promessa de salário, mas pelo chamado para buscar o Reino e expandi-lo (colonizar) por este mundo, começando por onde moramos.

Por: Raimundo Barreto
Dezembro de 2009
Garanhuns, PE, Brasil

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