O que é, realmente, a “Marca da Besta”?
O que é, realmente, a “Marca da Besta”?
Raimundo Barreto
Garanhuns, PE, janeiro de 2025
No final deste post você pode baixar o arquivo PDF completo da mensagem.
“Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão. Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado. E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens. Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra da besta que fora ferida pela espada e contudo revivera. Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem. Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”. (Apocalipse 13:11-17).
Muito tem sido ensinado sobre o significado da “marca da Besta”, uma das visões tidas pelo apóstolo João e que foi registrada no livro de Apocalipse. Muitos afirmam que é um chip ou um código de barras. Eles acreditam que a marca mencionada em Apocalipse, capítulo 13, refere-se apenas a algo tecnológico ou um chip implantado, mas a Bíblia aponta para algo muito mais profundo. A palavra grega utilizada para marca em Apocalipse 13 é charagma (χάραγμα – G5480 na Concordância de Strong), um termo que era empregado em pelo menos três contextos específicos: como um selo oficial do Império Romano, como uma marca de escravos para identificar propriedade e como um símbolo de lealdade ao Sistema político da época. Isso indica que João estava tratando de uma submissão a um Sistema anticristão e não necessariamente de algo puramente físico.
Ao estudar o contexto histórico por trás dessa marca no Império Romano, devemos olhar para o século III, especialmente durante o reinado do imperador Décio, por volta do ano 250 d.C., quando vemos a aplicação prática do que João descreveu como a impossibilidade de “comprar ou vender”. Décio emitiu um edito exigindo que todos os cidadãos do império realizassem um sacrifício público aos deuses romanos e à imagem do imperador como prova de lealdade ao Estado. Aqueles que cumpriam o ritual recebiam o libellus (que em latim significa “pequeno livro”, certificado ou documento), um documento assinado por comissões oficiais que atestava a submissão do indivíduo ao sistema imperial. Sem esse certificado, o cristão era visto como um inimigo da ordem pública, sendo sumariamente excluído das guildas comerciais e dos mercados, o que resultava em uma morte civil antes mesmo da execução física.
O termo grego usado por João, charagma (χάραγμα), reforça essa conexão histórica, pois era a mesma palavra utilizada para o SELO IMPERIAL em documentos oficiais e para a marca gravada em moedas. No cotidiano romano, a moeda não era apenas um meio de troca, mas uma ferramenta de propaganda que carregava a efígie do imperador com títulos divinos (fotos no arquivo PDF). Para um cristão fiel, manusear uma moeda que declarava o imperador como “Filho de Deus” e participar de transações que exigiam a queima de incenso era uma afronta direta ao Senhorio de Cristo. Assim, a “marca” operava como um divisor de águas: ou o cidadão se submetia à mentalidade do Sistema (testa) e trabalhava conforme suas regras (mão), ou enfrentava o confisco de bens, a prisão e o martírio. Houve até casos de cristãos, conhecidos como libellatici, que tentaram comprar esses certificados ilegalmente para evitar a perseguição, o que gerou grandes debates teológicos na Igreja Primitiva sobre a apostasia e o perdão.
Além disso, a Bíblia relaciona o número da besta como sendo 666 e que ele pode ser calculado, o que nos leva à gematria, sistema numerológico judaico onde as letras no hebraico possuem valores numéricos. Quando escrevemos o nome Nero César em hebraico, a soma resulta exatamente em 666, sugerindo que João poderia estar se referindo ao imperador daquela época e pedindo que seus leitores fizessem esse cálculo. Dessa forma, a marca da besta representa uma submissão a um Sistema anticristão e não é apenas uma questão de tecnologia, sendo algo que se pode receber sem perceber.
Seguindo o princípio de que “Bíblia se explica com Bíblica”, precisamos voltar para o “manual” de João, que é o Antigo Testamento, especialmente o livro de Deuteronômio. Quando Deus dá o Shema em Deuteronômio 6:8, Ele ordena que o Seu povo ate as Suas palavras como sinal na mão e as coloque como frontais entre os olhos. Na cultura hebraica, a testa representa a sede da mente, dos pensamentos e das convicções, enquanto a mão representa a força de trabalho, a execução e a prática cotidiana. Ter a Lei de Deus nesses dois lugares significava que tanto a visão de mundo quanto as ações daquele indivíduo eram governadas pela vontade do Altíssimo.
A Besta, portanto, não está inventando nada novo; ela é uma imitadora barata que tenta fazer uma paródia da consagração que pertence a Deus. Quando o Sistema Mundano, essa “besta” que João descreve, coloca sua marca na testa ou na mão, ele está reivindicando o DOMÍNIO SOBRE O QUE AS PESSOAS PENSAM E O QUE ELAS FAZEM – domínio sobre a mentalidade e comportamento.
No hebraico bíblico, o termo para sinal ou marca frequentemente aponta para uma identificação de pertencimento. Assim, ter a “marca na testa” é ter uma mentalidade moldada pela lógica do Sistema deste século (Romanos 12:1, 2), uma mente que já se conformou com os padrões ímpios, com o egoísmo e com a idolatria do poder humano. Já a “marca na mão” é o agir prático em conformidade com essa mentalidade, é o “fazer o jogo” do Sistema para obter vantagens ou simplesmente para sobreviver dentro de uma estrutura que nega a soberania de Cristo.
Essa chave de interpretação e compreensão desconstrói totalmente essa paranoia tecnológica de que a marca seria um chip de silício ou algo puramente físico que alguém poderia receber por acidente. O texto bíblico nos mostra que se trata de uma escolha espiritual e ética muito mais profunda. É o domínio de uma mentalidade que se reflete em ações ímpias; se o Sistema controla sua mentalidade (marca na testa) e como você gasta a sua energia e o seu trabalho (mão), você já está operando sob o domínio deste Sistema. É por isso que em Apocalipse 14:9-11 adverte severamente contra a aceitação da marca da besta e em Apocalipse 14:1-5 vemos os 144 mil com o nome do Cordeiro e do Pai escrito em suas testas.
É um contraste direto:
ou sua mente é selada pela verdade do Evangelho,
ou ela é marcada pela mentira do Sistema anticristão.
No final das contas, o “cálculo” que João pede para fazermos não é uma conta matemática para descobrir um vilão de filme, mas um exercício de discernimento espiritual para percebermos onde depositamos nossa lealdade, ou “ConFormamos” a nossa mente. Se a nossa forma de pensar e agir está atrelada à Palavra de Deus, como o Senhor pediu lá no deserto, estamos protegidos contra essa “marca” invisível, mas real, que tenta escravizar a mentalidade humanidade por narrativas malignas (assim como a mente de Eva foi corrompida – 2 Coríntios 11:3).
Este entendimento tira o foco do medo do futuro e o coloca na responsabilidade do agora, em como estamos permitindo que o Reino de Deus governe nossa mentalidade e nossos comportamentos hoje mesmo.
Clique abaixo para baixar a mensagem completa em PDF, com imagens e muita base bíblica. Compartilhe entes ensinamento Bíblica para que sofismas na mente dos cristãos sejam implodidos.
Você pode gostar também disso:
No related posts.