Apocalipse de João
Como Estudar a Bília,  Livros da Bíblia

Compreendes o que lês? – A Chave do Apocalipse

É importante frisarmos que o Livro de Apocalipse contém “Revelações de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer, e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (1:1). Deus confiou estas revelações a Jesus Cristo que, por intermédio de seu anjo, foram confiadas ao apóstolo João para que as escrevesse num livro, conforme viu e ouviu.

Sendo assim, o Livro das Revelações de Jesus Cristo tem o intuito de glorificar a Deus, pois mostra a Sua Soberania (cf. 1:8), e a de Seu Filho Jesus Cristo (cf. 1:17, 18).

A passagem de 4:1 a 5:14 contém a preparação do palco para apresentação do drama que se segue. O livro selado (5:1-14) contém os planos e propósitos de Deus para esta geração. No abrir de cada selo pelo Cordeiro, é desencadeado os acontecimentos que fazem a História da Humanidade pós-ressurreição de Jesus Cristo. Cada cena confirma a Soberania de Deus sobre os destinos da Humanidade.

Paralelismo Hebraico: a Chave do Livro de Apocalipse

O Princípio do Paralelismo Hebraico é um estilo literário muito empregado nas Escrituras. Esta forma literária é construída a partir do uso de duas linhas que as relacionam entre si de alguma forma especial. A segunda linha pode ser sinônima da primeira, caso em que é chamado “paralelismo sinônimo” (p. ex., Salmos 1:5; 59:1; Isaías 44:22). Veja, por exemplo, o Salmos 19:1 abaixo e como o paralelismo é bem evidente:

Os céus proclamam a glória de Deus,
e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.

No versículo acima a palavra “firmamento” é sinônima de “céus”, “obras das suas mãos” refere-se à “glória de Deus” e, ainda, o verbo “anunciar” é sinônimo de “proclamar”.

Paralelismo Padrão (Ex.: Isaías 55:6, 7)

A     Buscai o Senhor enquanto se pode achar,
A     invocai-o enquanto está perto.

B     Deixe o perverso o seu caminho,
B     o iníquo os seus pensamentos;

C      Converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele
C      e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.

Aqui o autor começa com três parelhas de paralelismo padrão. Em cada caso o tema exposto na primeira linha é repetido na segunda. Note que a segunda linha é sinônima da primeira, você pode constatar isso observando as palavras em itálico: buscai / invocai-o; caminho / pensamentos; converter-se / voltar-se.

Quando a segunda linha é o oposto da primeira, a parelha de versos é chamada de “paralelismo antitético” (p. ex., Salmos 1:6 e 20:8). A segunda linha também pode ser o clímax da primeira, ou uma ilustração da mesma, ou completá-la de uma forma que seja mais sentida do que entendida. Este paralelismo é algumas vezes chamado de “sintético” (Salmos 1:2; 9:8; 27:1; 55:6). Ainda temos o “paralelismo em degraus”, quando o texto se combina em parelhas, duas em duas linhas paralelas e em forma de degraus. No estudo de minha autoria, intitulado “Compreendes o Que Lês I (Apocalipse)”, exemplifico mais detalhadamente o Princípio do Paralelismo Hebraico. Baixe o mesmo em nossa Biblioteca na Internet: www.bibliotecareinonet.com.br.

Paralelismo Invertido (Ex.: Isaías 55:8, 9)

A   Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
            B        nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.
                      C        Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra,
            B        assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos,
A   e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.

Ainda estamos lidando com pares de linhas, mas o autor as colocou em ordem diferente (como se pode ver facilmente observando-se os itálicos). O tema de “meus pensamentos/vossos pensamentos” ocorre no começo e é repetido no fim (A). O tema de “meus caminhos/vossos caminhos” ocorre na segunda e quarta linhas (B). A ilustração/parábola dos céus e da terra ocorre no centro (C).

Observe ainda a repetição deliberada da palavra “altos”. A repetição dessa palavra enfatiza o tema central do poema: Iavé é Deus e habita nos altos céus, logo, seus pensamentos e caminhos são mais altos (elevados ou nobres) que os pensamentos e caminhos dos homens, daí a necessidade de sua conversão ao Senhor.

Note que continua a ser usado o paralelismo, mas neste caso é paralelismo invertido.

Paralelismo em Degrau (Ex.: Isaías 55:10, 11)

Este caso pode ser visto melhor quando escrito como segue:

A   Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus,
            B        e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra
                      C        e a fecundem e a façam brotar
                               D       para dar semente ao semeador e pão ao que come,

A   assim será a palavra que sair da minha boca;
            B        não voltará para mim vazia,
                      C        mas fará o que me compraz,
                               D       e prosperará naquilo para que a designei.

As quatro linhas da segunda estrofe combinam com as quatro linhas da primeira estrofe em um padrão ABCD/ABCD, fazendo um desenho em forma de degrau, desta forma este artifício poético pode ser chamado de paralelismo em degrau. Observando-se os verbos, podemos perceber que a primeira linha de cada estrofe fala de algo saindo e a segunda fala de algo não voltando. As duas últimas linhas apresentam os resultados.

Estes três artifícios estilísticos podem ser usados em várias combinações, mas os blocos básicos dessa edificação literária são os três tipos de paralelismo esboçados acima. Uma grande variedade de padrões encontra-se frequentemente no PARALELISMO INVERTIDO. Desta forma este artifício requer especial atenção.

O PARALELISMO INVERTIDO de Isaías 55:8, 9, examinado anteriormente, é um caso claro. Neste caso estamos tratando de parelhas de versos, e os pares de linhas se relacionam uma à outra de forma invertida. Na literatura bíblica a inversão de temas algumas vezes vai muito além de simples paralelismo. Conjuntos de parelhas de versos, parágrafos, capítulos e até um livro todo pode ser considerado como tendo sido composto com base em uma série de temas que são declarados e depois repetidos de forma invertida. Assim sendo, somos obrigados a ir além do paralelismo invertido, e falar do Princípio de Inversão. Por exemplo, na ilustração das três parelhas de versos de paralelismo padrão apresentada acima (Isaías 55:6, 7), Isaías usou o princípio de inversão. Ele começa na primeira parelha de versos com uma conclamação para buscar o Senhor. A segunda parelha diz ao ímpio o que precisa ser abandonado (caminho e pensamentos). Na terceira parelha voltamos ao tema da primeira (converter-pensamentos e voltar-caminhos).

Podemos encontrar estes conjuntos de parelhas em versículos, parágrafos, capítulos e até um livro todo da Bíblia (como é o caso do Livro de Apocalipse).

Assim sendo, somos obrigados a falar do Princípio do Paralelismo. Deus gosta de nos ensinar por CONTRASTE, COMPARAÇÕES e PARALELISMOS, porque facilita o nosso entendimento e nos ajuda a assimilar grandes verdades. Contrastar ou comparar o certo e o errado, o bom e o mal, a luz e as trevas, ou duas histórias paralelas, é uma excelente forma didática de ensino. Veja as histórias do Rico e Lázaro, do bom pastor e o pastor insensato e tantas outras que são contrastadas nos ensinamentos bíblicos. Jesus começa muitas de Suas parábolas dizendo: “… a que compararei o reino dos céus?…” ou “… o reino dos céus é semelhante a…”.

Índice do Livro

Pelo índice abaixo você pode ter uma noção dos assuntos que estudaremos.

Disponibilizei abaixo o arquivo PDF, do estudo completo para que você possa imprimi-lo e encaderná-lo. Ler as 68 páginas aqui no blog não seria prático, por isso disponibilizo o mesmo em PDF.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *